Sunday, February 1, 2015

A Eterna Luta entre o Bem e o Mal


por Eloyr Pacheco

Segundo o ensinamento cristão, Deus criou os céus e a terra (Gen. 1.1) e tudo o que existe, todos os seres vivos e inanimados. Portanto, os anjos também são criação Dele. Esses espíritos puros foram dotados de graça, beleza, inteligência e, assim como os seres humanos, de livre arbítrio. É o livre arbítrio que nos provoca a fugir do "destino", procurando agir com liberdade, o mais precioso bem do ser humano.

Lúcifer Estrela-da-Manhã pertencia ao Coro dos Serafins, definição dada à categoria angelical que está mais próxima de Deus, e, de sua boca saiam os instrumentos de louvor ao Senhor. Depois que um anjo foi escolhido para nascer da Virgem Maria e ser o Cristo da humanidade, rebelou-se. Ensoberbecido, lutou contra as hostes angelicais lideradas por Miguel; derrotado foi lançado no inferno.

Os anjos que se aliaram a Lúcifer também eram anjos de luz, cheios de virtudes e dons especiais, e mesmo assim, transgrediram a lei do amor e da obediência, revoltando-se contra o Criador. Por possuírem vontade poderosa, não recuam de suas decisões, e deste modo, não existe possibilidades de se arrependerem do mal praticado par alcançarem a misericórdia Divina.

Origens do Mal

A concepção que se faz de Lúcifer da forma como é conhecido atualmente, chegou até nós através das escrituras do povo judeu com todas as influências das civilizações que o procedeu. Os mitos e simbolismos babilônicos influenciaram em m uito os textos judaicos. A imagem de Leviatã serve como exemplo: "Naquele dia o Senhor castigará com a sua dura espada, grande e forte, o Leviatã, a serpente veloz, e o Leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar" (Isaías 27.1).

Segundo o persa Zaratustra ou Zoroastro, fundador do zoroastrísmo ou madeísmo, o princípio do mal é totalmente separado do princípio divino. Afirmava-se então que tudo tinha uma causa, e, como o bem não podia causar o mal, deduzia-se que o mal tinha que ser um princípio separado.

O mundo teria surgido de Ahura-Mazda ou Ormuzd. Seu espírito produzia o bem de maneira constante, mas sofria restrições por parte de seu irmão gêmeo Arimã. A essência de Arimã era a falsidade, a de Ormuzd a verdade. Arimã, expulso do "Paraíso" e lançado no "Inferno", tem um parentesco bastante claro com a concepção judaica do Inimigo, outro nome dado ao Demônio.

Os deuses do Egito Antigo tinham esta mesma ambivalência, todos compartilhavam da majestade de um Deus superior, que emanava tanto o bem como o mal. Segundo a mitologia egípcia, o deus Seth identificava-se com a destruição, com a morte do Sol mas, ao mesmo tempo, também era venerado como um grande e poderoso deus criador. Com o passar dos séculos, a história de Seth foi simplificada até ele se tornar apenas um ser cheio de maldade e hostil a todos os homens.

No hinduísmo, as divindades são manifestações de um deus uno, atribuindo a elas poderes de criação e destruição, de vida e morte. Na mitologia hindu, o combate entre luz e trevas é mais uma vez usado como uma metáfora para bem e mal. Apesar disso, não existe a imagem de uma figura sobre a qual estaria concentrado todo o mal. Kali, ou Maha Kali, a deusa da morte, representa o anverso da deusa mãe que alimenta todos os seres vivos. Mas na mitologia hindu, Kali está longe do que podemos considerar como uma concepção do Diabo.

Segundo textos que narram a vida de Siddharta Gautama, o Buddha, nascido no século VI a.C. (em torno de 556 a.C.), em Kapilavastu, norte da Índia, atual Nepal, Mara, o demônio, teria aparecido a ele no céu e tentado evitar que ele renunciasse à vida mundana e se tornar um andarilho. As palavras de Mara não tiveram efeito algum, mas a história acrescenta que, do mesmo modo que uma sombra segue o corpo, ele também, a partir daquele dia, sempre seguiu o Abençoado, fazendo tudo que era possível para lançar obstáculos em seu caminho na busca da perfeição.

Mara também é chamado de Varsavati, "aquele que satisfaz os desejos", porque o desejo ou a sede pelo prazer, pelo poder, e até mesmo pela existência terrena, vincula os seres humanos à roda da vida que gira eternamente, o princípio da reencarnação, impedindo a liberação do Nirvana.

Um Deus único e Supremo era o centro da fé judaica, e serviu inclusive para diferenciar a primitiva religião hebraica, das religiões de todos os povos politeístas daquela época.

Nas mais antigas escrituras judaicas, Yaveh (Deus) aparecia como o Senhor do Universo, e tudo o que acontecia era causado por Ele. Em Isaías (45.7) Deus diz: "Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas cousas.". Mais tarde surgiram registros que Deus, o autor de todo o bem, não deveria ser descrito como o causador do mal, era necessário escolher outro culpado. O mal passou a ser visto cada vez mais como sendo causado por um "inimigo" que se opunha a Deus e ao Homem.

Entre os anos 285 e 247 a.C., quando o Velho Testamento foi trazido para a versão grega conhecida como "Os Setenta", pela primeira vez na literatura a serpente do Livro do Gênesis é mencionada como Satanás, o Diabo, palavra originária do grego "diabolos".

A Provação de Jó

No livro de Jó, Satanás aparece como acusador e tentador do Homem, mas ainda é visto como um "servo" de Deus. É nesta passagem do Velho Testamento que temos o registro de um diálogo interessante entre Deus e Satanás: "Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanas respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela. E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a Deus, e desviando-se do mal. Então respondeu Satanás ao senhor, e disse: Porventura teme a Deus debalde? Porventura não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado está aumentando na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face! E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão, somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor" (Jó 1.7-12). No Livro de Samuel está escrito que o Senhor tentou Samuel. Mas no primeiro Livro de Crônicas (21.1) é Satã quem tenta Davi para que desobedeça a Lei. Agora o perigo não vem mais de Deus que ordena o seu "súdito" mas sim, exclusivamente, da grande criatura malígna, encarnação de todo o mal.

Segundo os Evangelhos, o Diabo teria tomado conta do coração de Judas (João 13.2 e 27) e Cristo diz que Simão (Pedro) corria perigo de cair nas mãos de Satanás (Lucas 22.31). É difícil saber em que sentido estas palavras são usadas porque, segundo a própria mitologia católica, Deus criou Lúcifer, como um príncipe de Luz e este depois revoltou-se contra o Criador.

Lucas (4.1-13) narra a tentação de Cristo logo depois de ser batizado por João Batista. Em pleno deserto, Satanás tenta a Jesus dizendo-lhe para transformar pedra em pão e Jesus, firme, responde: "Nem só de pão viverá o Homem.". A batalha entre Jesus e o Diabo no deserto simboliza a eterna luta entre o bem e o mal. Mas será que assim como no caso de Jó, Lúcifer esteve antes de tentar Jesus dialogando com o Criador?

O Senhor das Moscas

Nas escrituras hebraicas, Baal Zebub, mencionado apenas no Velho Testamento, é mais um dos nomes usados para designar Satanás. Em 2Reis 1, o rei de Israel manda mensageiros para perguntar a Baal Zebub, o deus de Ecrom, se ele se recuperaria de sua enfermidade. O Anjo do Senhor diz a Elias que vá ao encontro dos mensageiros do rei e lhes diga: "Porventura não há Deus em Israel, para irdes consultar a Baal Zebub, deus de Ecrom? E por isso assim diz o Senhor: da cama, a que subiste, não descerás, mas sem falta morrerás" (2Reis 1.3 e 4). "Baal" quer dizer "senhor", "zebub" significa "moscas". Portanto, Baal Zebub quer dizer Senhor das Moscas.

A Queda de Samael

Na Bíblia Cristã, encontramos uma narrativa da derrota de Lúcifer no livro de Apocalipse, capítulo 12, versículo 7 a 9 da seguinte maneira: "E houve batalha no Céu: Miguel e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado, o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele."

Mas, mais detalhadamente, a história de como Satanás foi expulso do Paraíso, teria sido narrada nos livros judaicos apócrifos. O mais importante de todos estes é o Livro de Enoch, bastante conhecido até o século VII, segundo este livro de autenticidade duvidosa, a história dos anjos teria sido revelada a Enoch em uma visão, na qual um grupo de anjos, encorajados por seu líder, teria descido da corte celestial para a Terra. Em nosso mundo, eles teriam desejado as filhas dos Homens e rejeitado o Paraíso, tornando-se, seres maus que teriam produzido uma raça de gigantes em sua união com as filhas dos Homens. Esta parte da história tem bastante semelhança com o capítulo 6 do Livro do Gênesis, que narra a corrupção do gênero humano. Em outro livro, Os Segredos de Enoch provavelmente escrito no Egito no princípio da era cristã, narra a viagem de Enoch através das diferenças cortes do Paraíso. Enoch conhece os Grigori, anjos rebeldes que, juntamente com seu príncipe tinham rejeitado o Senhor Deus. No Livro dos Doze Patriarcas, outra obra apócrifa, o chefe dos anjos caídos é chamado de Belial, sendo em outras obras citado como Samael (ou Samaael) e Sataniel (ou Satanael).

A Santa Inquisição

Na Europa Medieval, o poder do Diabo era considerado imenso e ele passava a ser considerado o soberano do Inferno. Sobre a Terra, ele era Satanás, que jamais descansava de seus atos de maldade contra a humanidade. Os perigos de outrora, sempre presentes, representados pela violência e pelas pragas, davam às pessoas uma sensação de que o mundo se encontrava sob o completo domínio do "demo". Esta sensação era ainda maior quando era pregado que devido à desobediência de seus ancestrais, Satanás tinha direitos sobre suas almas. Naquela época poucos podiam dizer que obedeciam aos mandamentos de Cristo, e assim serem salvos por Ele. Assim, poucos podiam considerar-se salvos das garras do Diabo.

No século X, um bispo de Verona, colocou de maneira clara que o Diabo estava sujeito ao Deus Onipotente. Os ensinamentos de São Jerônimo, mostravam a Igreja de Cristo como comunidade de luz, envolvida em combate mortal contra a comunidade das trevas. Assim, a primitiva concepção do mundo como um campo de batalha entre o bem e o mal, pode ter servido (como certamente serviu) de base para a perseguição religiosa. Nos séculos XII e XIII, as pessoas acusadas de heresia foram consideradas servos do Diabo.

Na Idade Média, muitos filósofos e escritores cuja erudição fazia parecer que tamanho acúmulo de conhecimento só poderia ser conquistado por meio de técnicas sobrenaturais ou seja, malígnas. Durante esta mesma época, a Igreja também havia comparado a prática da magia à heresia. Qualquer ritual de magia era considerado vinculado a algum tipo de pacto com o Demônio e isto significava a apostasia em relação ao único e verdadeiro Deus.

Na segunda metade do século XIV, foram se tornando mais freqüentes as acusações de bruxaria. Em 1366, o Concílio de Chartres ordenou que em todos os domingos fosse pronunciado um anátema (excomunhão) contra os feiticeiros. Em 1484, a Bula Papal de Inocêncio VII, Summis Desiderantes Affectibus, declarava que a Europa estava infestada por demônios e bruxos! Depois de ler essa Bula Papal o frei Henry Kramer e o frei James Sprenger, compilaram uma obra descrevendo os poderes dos bruxos e seu relacionamento com os demônios. A obra ficou conhecida como "Malleus Maleficaraum - O Martelo contra as Bruxas". Inocêncio VII deu sua mais firme aprovação a essa obra e nomeou os autores de "O Martelo contra as Bruxas" como inquisidores. Qualquer pessoa suspeita de estar envolvida com magia, passava imediatamente a ser tratada como herege e era levada perante um tribunal inquisidor. Essa prática alastrou-se por toda a Europa em pouco tempo.

Os Cátaros

Na França, a heresia dos cátaros (palavra de origem grega que significa "puro"), ou albigenses era a mais temida de todas, portanto, objeto da mais feroz perseguição. Esse povo considerava-se cristão, mas colocava-se em visceral oposição contra a Igreja Católica. As doutrinas dos cátaros tinham sido quase todas herdadas dos maniqueístas, e, como os maniqueus, eles acreditavam em dois poderes eternos: o Deus da bondade e o Criador do Mal. O deus do mal, Satanás, era considerado não apenas "Senhor deste Mundo", mas "Senhor de todo homem exterior", isto é, do corpo em degeneração. Achavam que como resultado da guerra do Paraíso, os anjos rebeldes, provocados por Satanás, tinham aprisionado os corpos celestiais em corpos terrenos, para serem transformados em seres humanos.

Os cátaros acreditavam que a Igreja havia fugido do seu verdadeiro ensinamento sobre Cristo e de sua revelação e mergulhado no materialismo. Ou seja, a Igreja tinha distorcido a verdadeira religião e estava servindo ao deus do mal deste mundo. A crença dos cátaros na maldade intrínseca da matéria levou-os a denunciar os símbolos católicos - a cruz, a água benta, o pão e o vinho - já que para eles, o espírito puro não podia ter qualquer vínculo com as coisas materiais.

Santo Inácio

Nos primórdios do cristianismo, havia uma crença entre alguns cristãos de que Deus teria estabelecido dois reinos, um pertencente a Cristo e outro ao Diabo. Ao primeiro pertencia o reino celestial do mundo do futuro, e ao segundo o mundo atual. Santo Inácio chamava o Diabo de "o soberano desta era" e em alguns dos primeiros textos cristãos, como as "Cartas de Barnabé" (datada de 100 - 130 d.C.) e o "Pastor de Hermas" (datado de 150 d.C.. Hermas é considerado o irmão de Pio, bispo de Roma), a luta entre os dois reinos é colocada como elemento principal na visão cristã sobre a vida.

As palavras "o príncipe deste mundo", encontradas no Evangelho de João (12.31 e 14.30), usadas para descrever aquele que tentou Cristo, tinham grande importância para os Padres Católicos. Elas colocavam em destaque uma concepção do Diabo como senhor do mundo atual, ou seja, o domínio de Satanás não era exercido sobre o mundo, mas sobre os seres mundanos que, através de seu apego às coisas materiais, idolatravam o Diabo.

O maior expoente deste significado dos dois reinos foi Santo Agostinho, nascido em 354 e falecido em 430 d.C.. Em "A Cidade de Deus", ele descreve o Cosmo dividido em duas cidades: uma terrena e outra celestial. "Os anjos maus e os seres humanos maus ocupam a cidade do mal, enquanto os anjos bons e os seres humanos bons vivem na cidade celestial. Mas o mundo em que vivemos é uma mistura entre as duas cidades, e não cabe a nós dizer quem pertence a qual dos dois reinos." - escreveu.

Santo Agostinho acreditava que Deus permitia às forças do mal governar o mundo, mas debaixo de Seu controle, como parte do grande plano celestial. Mas ele sempre concebeu o mal como resultado de uma escolha definida, já que nenhuma criatura tinha dado origem ao mal.

O que nos resta é escolher o lado que vamos pelejar pois a batalha entre a luz e trevas, o bem e o mal, a criação e a destruição acontece desde os tempos primordiais da criação e, segundo os mitos, deve  até o fim dos tempos

Wednesday, January 28, 2015

Yule - 21 de dezembro

Também conhecido como Natal, Ritual de Inverno, Meio do Inverno, Yule e Alban Arthan, o Sabbat do Solstício do Inverno é a noite mais longa do ano, marcando a época em que os dias começam a crescer, e as horas de escuridão a diminuir. É o festival do renascimento do sol e o tempo de glorificar o Deus. (O aspecto do Deus invocado nesse Sabbat por certas tradições wiccanas Frey, o deus escandinavo da fertilidade, deidade associada à paz e à prosperidade.) São também celebrados o amor, a união da família e as realizações do ano que passou.

Nesse Sabbat os Bruxos dão adeus à Grande Mãe e bendizem o Deus renascido que governa a "metade escura do ano". Nos tempos antigos, o Solstício do Inverno correspondia à Saturnália romana (17 a 24 de dezembro), a ritos de fertilidade pagãos e a vários ritos de adoração ao sol.

Os costumes modernos que estão associados ao dia cristão do Natal, como a decoração da árvore, o ato de pendurar o visco e o azevinho, queimar a acha de Natal, são belos costumes pagãos que datam da era pré-cristã. (O Natal, que acontece alguns dias após o Solstício de Inverno e que celebra o nascimento espiritual de Jesus Cristo, é realmente a versão cristianizada da antiga festa pagã da época do Natal.)

A queima da acha de Natal originou-se do antigo costume da fogueira de Natal que era acesa para dar vida e poder ao sol, que, pensava-se, renascia no Solstício do Inverno. Tempos mais tarde, o costume da fogueira ao ar livre foi substituído pela queima dentro de casa de uma acha e por longas velas vermelhas gravadas com esculturas de motivos solares e outros símbolos mágicos. Como o carvalho era considerado a árvore Cósmica da Vida pelos antigos druidas, a acha de Natal é tradicionalmente de carvalho. Algumas tradições wiccanas usam a acha de pinheiro para simbolizar os deuses agonizantes Attis, Dionísio ou Woden. Antigamente as cinzas da acha de Natal eram misturadas à ração das vacas, para auxiliar numa reprodução simbólica, e eram espargidas sobre os campos para assegurar uma nova vida e uma Primavera fértil.

Pendurar visco sobre a porta é uma das tradições favoritas do Natal, repleta de simbolismo pagão, e outro exemplo de como o Cristianismo moderno adaptou vários dos costumes antigos da Religião Antiga dos pagãos. O visco era considerado extremamente mágico pelos druidas, que o chamavam de "árvore Dourada". Eles acreditavam que ela possuía grandes poderes curadores e concedia aos mortais o acesso ao Submundo. Houve um tempo em que se pensava que a planta viva, que é na verdade um arbusto parasita com folhas coriáceas sempre verdes e frutos brancos revestidos de cera, era a genitália do grande deus Zeus, cuja árvore sagrada é o carvalho. O significado fálico do visco originou-se da idéia de que seus frutos brancos eram gotas do sêmen divino do Deus em contraste com os frutos vermelhos do azevinho, iguais ao sangue menstrual sagrado da Deusa. A essência doadora de vida que o visco sugere fornece uma substância divina simbólica e um sentido de imortalidade para aqueles que o seguram na época do Natal. Nos tempos antigos, as orgias de êxtase sexual acompanhavam freqüentemente os ritos do deus-carvalho; hoje, contudo, o costume de beijar sob o visco é tudo o que restou desse rito.

A tradição relativamente moderna de decorar árvores de Natal é costume que se desenvolveu dos bosques de pinheiro associados à Grande Deusa Mãe. As luzes e os enfeites pendurados na árvore como decoração são, na verdade, símbolos do sol, da lua e das estrelas, como aparecem na árvore Cósmica da Vida. Representam também as almas que já partiram e que são lembradas no final do ano. Os presentes sagrados (que evoluíram para os atuais presentes de Natal) eram também pendurados na árvore como oferendas a várias deidades, como Attis e Dionísio.

Outro exemplo das raízes pagãs das festas de Natal está na moderna personificação do espírito do Natal, conhecido como Santa Claus (o Papai Noel) que foi, em determinada época, o deus pagão do Natal. Para os escandinavos, ele já foi conhecido como o "Cristo na Roda", um antigo título nórdico para o Deus Sol, que renascia na época do Solstício de Inverno.

Colocar bolos nos galhos das macieiras mais velhas do pomar e derramar sidra como uma libação consistiam num antigo costume pagão da época do Natal praticado na Inglaterra e conhecido como "beber à saúde das árvores do pomar". Diz-se que a cidra era um substituto do sangue humano ou animal oferecido nos tempos primitivos como parte de um rito de fertilidade do Solstício do Inverno. Após oferecer um brinde à mais saudável das macieiras e agradecer a ela por produzir frutos, os fazendeiros ordenavam às árvores que continuassem a produzir abundantemente.

Os alimentos pagãos tradicionais do Sabbat do Solstício do Inverno são o peru assado, nozes, bolos de fruta, bolos redondos de alcaravia, gemada e vinho quente com especiarias.

Incensos: louro, cedro, pinho e alecrim.
Cores das velas: dourada, verde, vermelha, branca.
Pedras preciosas sagradas: olho-de-gato e rubi.
Ervas ritualísticas tradicionais: louro, fruto do loureiro, cardo santo, cedro, camomila, sempre-viva, olíbano, azevinho, junípero, visco, musgo, carvalho, pinhas, alecrim e sálvia.

fonte: http://tendadobardo.blogspot.com/2010/12/yule-21-de-dezembro.html

Tuesday, January 13, 2015

O Natal

Se é certo que hoje o Natal assinala o nascimento de Jesus Cristo, também é verdade que a celebração desta data antecede o surgimento do Cristianismo em cerca de dois mil anos, e tem origem no Zagmuk, festival mesopotâmico que simbolizava a passagem de ano, enquanto um ritual semelhante era realizado por persas e babilônicos. A Mesopotâmia inspirou a cultura de muitos povos, como os gregos, que acabariam por englobar nas raízes do festival a luta de Zeus contra o titã Cronos. Mais tarde, através da Grécia, esse costume alcançou os romanos e foi absorvido pela Saturnália (cerimônia em homenagem a Saturno), uma festa que começava no dia 17 de Dezembro e terminava em 1º de Janeiro, comemorando o Solstício do Inverno, sendo o dia 25, de acordo com os cálculos feitos na época, a data em que o Sol se encontrava mais fraco, ainda que pronto para recomeçar a crescer e a encher de vida todas as coisas na Terra.

Nesse dia, conhecido como Dia do Nascimento do Sol Invicto, as escolas eram fechadas e ninguém trabalhava. Havia festas nas ruas, e a tradição ditava que se oferecesse grandes jantares às pessoas amigas, a quem eram ofertados galhos de loureiros iluminados com velas, que também enfeitavam as salas, com vista a proteger as habitações dos espíritos da escuridão. Apenas após a cristianização do Império Romano, o dia 25 de Dezembro passou a ser dedicado à celebração do nascimento de Cristo, que originalmente a Igreja não celebrava. Com o passar do tempo, os cristãos do Egito começaram a considerar o dia 6 de Janeiro como data da natividade.

O hábito de celebrar o nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro foi-se difundindo em todo o Oriente, chegando ao século IV. Grande parte dos historiadores afirma que o primeiro Natal como hoje o conhecemos foi celebrado no ano 336 d.C., coincidindo mais ou menos com a época em que a Igreja do Ocidente, que nunca havia reconhecido o 6 de Janeiro como dia do nascimento, assumiu que a celebração deveria se dar em 25 de Dezembro, tendo essa data sido adotada posteriormente também pela Igreja do Oriente. Muitos bispos concordaram em mover a festa para aquele dia devido a crenças pagãs segundo as quais o 25 de Dezembro era o dia dedicado ao Deus Sol, que muitos convertidos ao Cristianismo identificavam como sendo Cristo.

Por consenso, deliberou-se que o nascimento de Cristo passaria a ser celebrada em 25 de Dezembro e a Festa da Epifania (Dia de Reis) em 6 de Janeiro. A troca de presentes passou a simbolizar as ofertas dos três reis magos ao Menino, e como outros rituais foram adaptados. Sobre o dia em que Cristo nasceu há muitas teorias e nenhuma certeza: estudiosos apontam Abril, Outubro ou Setembro…